Ao longo do movimento missionário encabeçado pelo Apóstolo Paulo principalmente, é perceptível o cuidado que ele tinha com os novos crentes, novas igrejas e novas lideranças implantadas como fruto das suas viagens missionárias.
A Desconstrução dos Modelos Missionários
Ao longo do movimento missionário encabeçado pelo Apóstolo Paulo principalmente, é perceptível o cuidado que ele tinha com os novos crentes, novas igrejas e novas lideranças implantadas como fruto das suas viagens missionárias.
Também é perceptível o fluxo de informações trocadas entre ele e as novas igrejas e lideranças implantadas.
Infelizmente, esta dinâmica saudável que mantém claros os papéis de cada envolvido na obra missionária está se perdendo gradualmente, tanto do lado das igrejas enviadoras, como dos missionários enviados.
Algumas situações podem ser claramente identificadas:
1. A igreja que envia esquece que enviou e o missionário que foi enviado esquece de quem o enviou. Literalmente, esquecem-se um do outro e ambos se justificam pelo esquecimento que leva ao isolamento, culpando-se mutuamente.
2. A cumplicidade entre quem envia e quem é enviado se perdeu; quem envia só olha para si mesmo, assim como quem foi enviado só olha para si mesmo. O resultado final é uma perda da eficácia na propagação do evangelho, associada a um aumento considerável na necessidade de ambos se auto-promoverem, uma vez que uma das formas de se mostrar quem está falhando e dizer o que está se fazendo sozinho.
3. A relação decadente entre quem envia e quem é enviado, está se resumindo a uma quantia em dinheiro (oferta missionária, sustento missionário, sustento de projetos missionários); os vínculos espirituais e afetivos estão se perdendo.
4. De um lado quem enviou culpa quem foi enviado pelo esfriamento na relação que, outrora fora de irmãos e gradativamente passou a ser de parceiros e hoje se configura quase de inimigos. Por outro lado, quem foi enviado culpa quem enviou por esquecer, por abandonar, por não se importar. Algo parecido a quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, ou seja, ninguém quer assumir culpa alguma.
5. A independência, tanto de quem enviou, como de quem envia se mostra principalmente no cumprimento de alvos e metas equivocadas e incoerentes, pois o esforço que biblicamente deveria ser conjunto, passou a ser isolado, perdendo-se capacidades e energias que seriam diferenciais no esforço único de tornar Cristo conhecido entre os que nada ouviram sobre Ele. Na verdade, o que se percebe são igrejas e missionários querendo maior destaque do que o próprio Jesus. Quem deveria desaparecer, quer aparecer cada vez mais.
O resultado destas situações tão deprimentes à Obra de Deus é um prejuízo cada vez maior à tarefa que deveria ser feita com a maior brevidade possível. Dividimo-nos quando deveríamos nunca ter permitido a divisão entre nós, igreja e campo missionários. Agredimo-nos quando deveríamos nos amar e nos sustentar em amor. Murmuramos quando deveríamos nos edificar. Alimentamos a rivalidade, quando deveríamos alimentar a unidade. Por fim, falhamos quando deveríamos obedecer e o que é pior, achando que estamos obedecendo.
Quantas igrejas usam os missionários para sua auto-promoção e quantos missionários usam a igreja para a sua auto-piedade!
É tempo de igreja e missionários entenderem que suas opiniões, pontos de vista e experiências são nada diante da Graça e Misericórdia do Senhor, pois sem Ele, nem igreja e nem missionários existiriam.
Quanta vaidade e quanto egoísmo!
Nenhuma igreja e nenhum missionário deve olhar somente para si mesmo. A palavra de Jesus em Atos 1:8 "ser-me-eis testemunhas em Jerusalém, Judéia e Samaria e até aos confins da terra" vale para os dois, igreja e missionários. Ambos têm que olhar para o alvo da Grande Comissão e não para os seus alvos e projetos individuais.
Igrejas que só se lembram dos missionários quando vão fazer suas conferências, a fim de expô-los como seus troféus tendem à hipocrisia. Missionários que só se lembram de suas igrejas quando delas precisam tendem ao mercenarismo.
E onde ficam os povos não alcançados diante de um quadro destes, um quadro de desconstrução dos modelos missionários?
Igrejas e missionários precisam se reencontrar com Atos 13:1-3, um modelo de envio missionário e se converterem às verdades ali contidas:
1. O Espírito Santo usa a Igreja no sentido de corpo para cumprir a Grande Comissão. Barnabé e Saulo foram separados da Igreja em Antioquia, onde serviam ao Senhor. Não foram excluídos e nem tampouco se excluíram da Igreja, Corpo de Cristo (At 13:2).
2. O Espírito Santo estabelece a direção e a obra que a Igreja através dos seus membros deverá cumprir. Barnabé e Saulo foram separados para a obra que o Espírito Santo tinha para a Igreja em Antioquia através deles, enquanto que os demais irmãos citados, Simeão, Lúcio de Cirene e Manaém, jejuaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo e os despediram, ou seja, cumpriram o seu papel de enviá-los. (At 13:3)
3. O Espírito Santo garante a continuidade da obra. Tanto a Igreja em Antioquia prosperou no seu papel, quanto os missionários Barnabé e Saulo. Não haviam rivalidades entre eles, igreja e missionários, mas unidade em prol de um único reino (At 14:26-28).
Que Deus ajude os pastores e membros das igrejas em Cristo, a entenderem o papel, a importância, as necessidades e limitações dos missionários.
Que Deus ajude os missionários em Cristo, a entenderem o papel, a importância, as necessidades e limitações das igrejas.
Enfim, que Deus nos ajude a todos, a nos amarmos como Cristo nos amou e a enxergarmos sob a mesma ótica bíblica, "as multidões que são como ovelhas que não tem pastor".
Ronaldo Rampaso - Pastor Presidente - Igreja O Brasil para Cristo em Artur Alvim/SP
Missões: www.bamiss.blogspot.com
Fazer Missões é uma responsabilidade de todos nós!
Missão Desafio
Rua Ires Leonor, 24 - Alto do Mandaqui São Paulo - SP
Cep: 02420-090
Fone: (11) 2283 2939
Email contato@missaodesafio.com.br